Olhando para a forma como nossa sociedade se organiza vemos que “culturalmente” existe uma divisão/separação entre o conhecimento do “saber” e do “fazer”, como se estas coisas fossem distintas e separadas. Por exemplo, quem é mais culto? O arquiteto que desenhou a planta do prédio ou o mestre de obras, pedreiro que construiu o prédio? O musico de classe média que canta MPB ou o cantor de Forró que veio do nordeste?
Esta falsa diferença entre o “saber” e o “fazer”, entre a MPB e o Forró, entre a literatura universitária e a literatura de cordel, tem uma função social, que é a de validar a exploração de uma classe sobre outra. E esta diferença não se deu naturalmente foi construída com o tempo e divulgada pela família, acomodada pela religião, pela escola de ensinos matemáticos, pelo governo e pelos meios de comunicação de massa.
Se pudermos olhar para nossa sociedade sem preconceitos veremos que esta mistura não homogênea de varias etnias, ou seja, de varias culturas (como a africana, indígena, européia e asiática, por exemplo) só existe porque houve uma resistência de uma maioria oprimida, ou melhor, reprimida pela classe dominante, porque se dependesse apenas de nossa “democracia” e “liberdade constitucional” seriamos a nação “padrão” européia, sem liberdade cultural.
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